Prémio Tektónica - "Luxo para Tod@s"
Habitar: um luxo para tod@s
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Em todo o mundo, aproximadamente 1 bilião de pessoas habitam em zonas urbanas degradadas.
Mais de 1 bilião de pessoas não dispõem de água segura para beber.
Quase 3 biliões de pessoas vivem sem acesso a saneamento adequado.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para o facto de que, se nada for feito, em 2030, este número duplicará: 2 biliões de pessoas viverão em péssimas condições (só na década de 90, o aumento foi de 36%).
O aumento previsto - de um sexto para um quarto da população mundial, que deverá ser de 8 biliões dentro de três décadas - resulta de um processo de urbanização rápido e desorganizado, principalmente nos países em vias de desenvolvimento.
Um estudo divulgado pela ONU ilustra a desigualdade no domínio da habitação. Em países em vias de desenvolvimento, 43% da população vive mal. Nos países ricos são 6%. Por regiões, as estatísticas mostram que na África subsaariana 71,9% da população habita em zonas urbanas degradadas; no sul da Ásia central, cerca de 60%; e na América Latina, 31,9%.
Estes valores configuram uma dinâmica global de urbanização da pobreza.
As recomendações do relatório da UN-Habitat apontam para medidas como o aumento dos rendimentos dos mais desfavorecidos e o combate à pobreza urbana de um modo geral, salientando que melhorar as condições das zonas urbanas degradadas é uma política mais eficiente do que a transferência dos seus habitantes.
Como tornar a “favela” habitável?
Foi este o leitmotiv desta proposta que pretende criar uma habitação temporária para um casal numa zona urbana degradada.
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Em todo o mundo, aproximadamente 1 bilião de pessoas habitam em zonas urbanas degradadas.
Mais de 1 bilião de pessoas não dispõem de água segura para beber.
Quase 3 biliões de pessoas vivem sem acesso a saneamento adequado.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para o facto de que, se nada for feito, em 2030, este número duplicará: 2 biliões de pessoas viverão em péssimas condições (só na década de 90, o aumento foi de 36%).
O aumento previsto - de um sexto para um quarto da população mundial, que deverá ser de 8 biliões dentro de três décadas - resulta de um processo de urbanização rápido e desorganizado, principalmente nos países em vias de desenvolvimento.
Um estudo divulgado pela ONU ilustra a desigualdade no domínio da habitação. Em países em vias de desenvolvimento, 43% da população vive mal. Nos países ricos são 6%. Por regiões, as estatísticas mostram que na África subsaariana 71,9% da população habita em zonas urbanas degradadas; no sul da Ásia central, cerca de 60%; e na América Latina, 31,9%.
Estes valores configuram uma dinâmica global de urbanização da pobreza.
As recomendações do relatório da UN-Habitat apontam para medidas como o aumento dos rendimentos dos mais desfavorecidos e o combate à pobreza urbana de um modo geral, salientando que melhorar as condições das zonas urbanas degradadas é uma política mais eficiente do que a transferência dos seus habitantes.
Como tornar a “favela” habitável?
Foi este o leitmotiv desta proposta que pretende criar uma habitação temporária para um casal numa zona urbana degradada.
A solução apresentada inscreve-se num volume com 3 metros de largo, por 9 de profundidade e 6 de altura (perfazendo uma cubicagem bruta de 162m3). Visa proporcionar um aproveitamento quantitativo racional das áreas diminutas mas, também, um acréscimo efectivo da qualidade de vida daquelas pessoas que, por razões de vária ordem, se vêem temporariamente confinadas a um cenário urbano hostil.
A habitação estrutura-se em 3 pisos . O primeiro, térreo, comprende uma sala de estar associada a uma área de preparação de refeições e a um pátio exterior. Compreende, ainda, uma instalação sanitária e uma garagem/armazém com uma entrada de serviço pela fachada tardoz. O segundo piso, destina-se ao quarto do casal e a um atelier/oficina, com acesso exterior coberto. O terceiro piso, é composto por um terraço sobre o quarto subjacente e com acesso exterior a partir deste.
A habitação estrutura-se em 3 pisos . O primeiro, térreo, comprende uma sala de estar associada a uma área de preparação de refeições e a um pátio exterior. Compreende, ainda, uma instalação sanitária e uma garagem/armazém com uma entrada de serviço pela fachada tardoz. O segundo piso, destina-se ao quarto do casal e a um atelier/oficina, com acesso exterior coberto. O terceiro piso, é composto por um terraço sobre o quarto subjacente e com acesso exterior a partir deste.
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Pretende-se dotar a habitação com os espaços mínimos indispensáveis à componente habitacional mas, complementarmente, equipá-la com áreas que, pelo seu uso, possam contribuir para a economia familiar: garagem/armazém (para o resguardo de produtos e/ou veículo associados à actividade comercial), atelier/oficina (para o desenvolvimento de actividades que contribuam para a subsistência do casal – reparações, artesanato, costura, etc.), pátio exterior e cobertura (para possível afectação a culturas hortícolas para consumo próprio).
Em termos construtivos, a proposta faz uso de uma nova geração de materiais designada genericamente por “madeira líquida”.
Trata-se de uma mistura de lignina com fibras de sisal, cânhamo ou linho e um componente químico - não revelado - que gera um granulado que pode ser extrudido em equipamentos tradicionalmente utilizados na indústria. A lignina é o polímero natural mais comum depois da celulose. É a lignina que mantém unidas as fibras das plantas, formando um material altamente resistente e elástico. Na indústria do papel, a lignina é separada da celulose por meio de um processo químico.
Este material (patenteado com o nome Arboform) permite que se construa virtualmente qualquer objecto a partir de técnicas comuns de moldagem por injecção - a mesma utilizada para o fabrico de produtos plásticos – e constitui uma nova abordagem às formas ancestrais de trabalhar a madeira.
Pretende-se dotar a habitação com os espaços mínimos indispensáveis à componente habitacional mas, complementarmente, equipá-la com áreas que, pelo seu uso, possam contribuir para a economia familiar: garagem/armazém (para o resguardo de produtos e/ou veículo associados à actividade comercial), atelier/oficina (para o desenvolvimento de actividades que contribuam para a subsistência do casal – reparações, artesanato, costura, etc.), pátio exterior e cobertura (para possível afectação a culturas hortícolas para consumo próprio).Em termos construtivos, a proposta faz uso de uma nova geração de materiais designada genericamente por “madeira líquida”.
Trata-se de uma mistura de lignina com fibras de sisal, cânhamo ou linho e um componente químico - não revelado - que gera um granulado que pode ser extrudido em equipamentos tradicionalmente utilizados na indústria. A lignina é o polímero natural mais comum depois da celulose. É a lignina que mantém unidas as fibras das plantas, formando um material altamente resistente e elástico. Na indústria do papel, a lignina é separada da celulose por meio de um processo químico.
Este material (patenteado com o nome Arboform) permite que se construa virtualmente qualquer objecto a partir de técnicas comuns de moldagem por injecção - a mesma utilizada para o fabrico de produtos plásticos – e constitui uma nova abordagem às formas ancestrais de trabalhar a madeira.
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A proposta congrega vários processos industriais de uso corrente que se entrecruzam na criação de novas soluções construtivas.Partindo do material acima descrito, sugere-se a concepção de painéis extrudidos, com 6 centímetros de espessura e uma densidade de 220Kg/m3 (próxima da cortiça). Estas peças, estriadas numa das faces, permitem a sua adaptação a um vasto leque de situações construtivas: paredes simples/divisórias, paredes duplas (com as estrias a funcionarem como caixa de ar ou como “lâminas” de dissipação de calor – caso se encontrem no interior ou no exterior do pano de parede), revestimento de paredes, pavimentos ou tectos, etc..
Esta pele assentará numa estrutura leve e resistente, composta por perfis tubulares de secção reduzida, produzidos a partir do mesmo material dos painéis mas com uma densidade superior e que será também usado no mobiliário da habitação. A resistência do conjunto é assegurada pelo número de elementos estruturais e não pelo sobredimensionamento destes.
Os painéis translúcidos fazem uso de uma tecnologia semelhante à utilizada no light transmitting concrete – patenteado com o nome LiTraCon – no qual é adicionada fibra óptica a um bloco de betão, numa proporção de 5% para 95%, permitindo até 70% de transparência e assegurando as mesmas qualidades de resistência do bloco de betão.
Neste caso, sugere-se a concepção de painéis extrudidos em “madeira liquída” em tudo idênticos aos anteriormente descritos mas a cuja composição se acresce a fibra óptica. Estes, possuirão um grau de transparência elevado, aliado a uma maior capacidade de captação da luz solar – uma vez que a face estriada (exterior) aumenta a superfície de incidência, optimizando as propriedades condutoras da fibra óptica.
Estes painéis funcionarão, paralelamente, como iluminação artificial. Estimuladas por pequenas fontes de iluminação eléctrica – cuja alimentação poderá recorrer a unidades eólicas ou solares, individuais ou comunais – as fibras ópticas dotarão estas superfícies de propriedades luminescentes suficientes para o uso doméstico.
A premência dos aspectos do abastecimento de água e do saneamento, foi salvaguardada pela adopção de dispositivos de baixo custo que decorrem da implantação da habitação em zonas onde essas infraestruturas são inexistentes.
Propõe-se a criação de uma cisterna de armazenamento de água ao nível da cobertura, para aproveitamento das águas pluviais e abastecimento exterior (p. ex. auto-tanque), e posterior abastecimeto doméstico por gravidade (sujeito a filtragem).
Neste caso, sugere-se a concepção de painéis extrudidos em “madeira liquída” em tudo idênticos aos anteriormente descritos mas a cuja composição se acresce a fibra óptica. Estes, possuirão um grau de transparência elevado, aliado a uma maior capacidade de captação da luz solar – uma vez que a face estriada (exterior) aumenta a superfície de incidência, optimizando as propriedades condutoras da fibra óptica.
Estes painéis funcionarão, paralelamente, como iluminação artificial. Estimuladas por pequenas fontes de iluminação eléctrica – cuja alimentação poderá recorrer a unidades eólicas ou solares, individuais ou comunais – as fibras ópticas dotarão estas superfícies de propriedades luminescentes suficientes para o uso doméstico.
A premência dos aspectos do abastecimento de água e do saneamento, foi salvaguardada pela adopção de dispositivos de baixo custo que decorrem da implantação da habitação em zonas onde essas infraestruturas são inexistentes.
Propõe-se a criação de uma cisterna de armazenamento de água ao nível da cobertura, para aproveitamento das águas pluviais e abastecimento exterior (p. ex. auto-tanque), e posterior abastecimeto doméstico por gravidade (sujeito a filtragem).
Para tratamento dos efluentes domésticos, sugere-se a associação de uma fossa séptica a um filtro anaeróbio de fluxo ascendente, o que faz aumentar a eficiência de remoção de matéria orgânica de 50% até aos 95%. Nos locais onde há maior concentração populacional, pode ser implementado um digestor anaeróbio de fluxo ascendente - consiste num tanque de 3 metros de diâmetro por 2,5 metros de profundidade, suficiente para o tratamento do esgoto produzido por 30 famílias e que gera um importante subproduto: o biogás, resultante do processo anaeróbio. Este gás, que possui na sua composição cerca de 80% de metano, pode ser utilizado como combustível ou em fogões domésticos.
Esta proposta pretende fazer uso de tecnologias actuais, ou delas emanentes, como resposta a problemas cada vez menos futuros e mais presentes.
Simultaneamente, pretende aliar a tecnologia de ponta com as culturas tradicionais e, deste modo, estimular o desenvolvimento dos países mais desfavorecidos - conforme a região do globo, bambú, soja ou cana-de-açúcar também podem ser utilizados como matéria-prima da "madeira líquida”.
Deseja-se que esta habitação temporária funcione para os seus ocupantes como um estímulo às capacidades que os tornam agentes activos na construção permanente de uma sociedade melhor.
Simultaneamente, pretende aliar a tecnologia de ponta com as culturas tradicionais e, deste modo, estimular o desenvolvimento dos países mais desfavorecidos - conforme a região do globo, bambú, soja ou cana-de-açúcar também podem ser utilizados como matéria-prima da "madeira líquida”.
Deseja-se que esta habitação temporária funcione para os seus ocupantes como um estímulo às capacidades que os tornam agentes activos na construção permanente de uma sociedade melhor.
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